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    Lilian

    PREZADA REDE GLOBO, COACHING NÃO É PSICOTERAPIA. Bem por aí. O coaching utiliza conhecimentos de diversas áreas sendo uma abordagem interdisciplinar que tem como objetivo o aumento da performance humana, mudança ou transformação.

    O que pode ocorrer é que COACHES MAL PREPARADOS podem não perceber alguns tipos de “bandeiras vermelhas” , ou seja, pontos que se referem a questões patológicas. Melhor dizendo, são sinais e sintomas eventualmente apresentados por seus coachees (clientes) que caracterizam enfermidades mentais.

    Essa falta de preparo adequado, pode acarretar prejuízos tanto para o profissional coach por exercer sem possuir habilitação legal a profissão de psicólogo e para o cliente, que não estará sendo atendido por profissional devidamente qualificado com nível superior em psicologia ou psiquiatria. O que pode inclusive, agravar consideravelmente seu quadro, pois o processo de coaching exige uma certa dose de estresse para que as metas sejam cumpridas.

    Uma situação que pode ocorrer, por exemplo, é uma pessoa com depressão mesmo que leve, não detectável por um leigo, ser cobrada pela realização das tarefas e devido a sua condição não conseguir executá-las e começar a se sentir pior ainda em relação as suas capacidades e ocorrer um agravamento clínico. O coach sem perceber o que se passa, continua o processo sem encaminhar o cliente para profissional competente e tratamento adequado.

    Por outro lado, também existem situações para as quais pessoas buscam atendimento psicoterápico e não alcançam os resultados que desejam, justamente por estarem precisando de uma abordagem mais diretiva. Se o psicólogo não for competente para perceber que seu cliente/paciente não apresenta qualquer transtorno e que existe o coaching que será mais eficaz para o caso apresentado (assim como outras abordagens dentro da psicologia que são mais direcionadas ao alcance de objetivos, promoção da saúde, bem-estar e prevenção de recaída, ressalvadas as devidas diferenças de aplicação em relação a metodologia coaching), o cliente/paciente poderá também ser prejudicado e se antes não estava precisando de psicoterapia poderá começar a precisar, pois a frustração de recorrer a uma alternativa que acreditava que iria resolver seu problema terá falhado ou se demonstrado pouco eficiente o levando a desenvolver ou a reforçar crenças na sua incapacidade, por exemplo.

    O coaching pode ser muito mais proveitoso para certos casos nos quais a pessoa quer emagrecer, mudar comportamentos, desenvolver novas habilidades que podem melhorar seus relacionamentos, ganhos financeiros, qualidade de vida e até mesmo equilíbrio emocional, por meio do aprendizado da autoconsciência, um dos construtos da inteligência emocional, etc.

    O público do coaching são pessoas que não apresentam sinais e sintomas que caracterizam transtornos mentais e que estejam decididos a alcançar metas específicas, mensuráveis, que tenham valores significativos para elas, realistas e com prazo determinado.

    O trabalho do coach é orientar a formulação de metas, ajudar o cliente a se manter focado e motivado, a planejar, identificar e resolver problemas da trajetória, a observar e trabalhar questões psicológicas não patológicas que estejam dificultando o alcance das metas e fazer com que o cliente amplie a visão de mundo e de oportunidades e libere o máximo do seu potencial.

    Se por um lado os coaches precisam conhecer os limites de sua atuação, os psicólogos também precisam conhecer mais profundamente sobre a abordagem para também direcionarem melhor seus pacientes/clientes. O que está sendo desagradável observar é a disputa entre profissionais coaches e psicólogos que não compreendem as abordagens uns dos outros. O mesmo acontece dentro da própria psicologia, que possui diversas teorias.

    O atual crescimento do mercado de coaching no Brasil exige o aperfeiçoamento da formação de coaches e psicólogos, incluindo mais conhecimentos sobre transtornos mentais para coaches para que conheçam mais detalhadamente sobre os casos em que não podem atuar e mais conhecimentos sobre a metodologia coaching para os psicólogos para ampliarem seu campo de atuação e/ou compreenderem as diferenças e semelhanças entre as duas formas de trabalho e seus resultados.

    Dessa forma, como esforço em amenizar a celeuma que se criou em relação ao tema (psicologia x coaching), esclareço que embora o coaching como metodologia utilize teorias da psicologia em seu embasamento, não significa que está autorizado a utilizar técnicas da psicologia para tratar problemas de ordem mental.A questão é o rigor do preparo do coach para compreender o limite de sua atuação e não ambicionar resolver demandas fora de sua alçada que podem surgir durante o processo. Lamento que o aparente interesse mercadológico da Instituição mencionada na novela não tenha permitido o devido acautelamento em relação a divulgação do rigor técnico e científico da prática do coaching. O que pode distorcer o julgamento de espectadores leigos sobre conhecimentos comprovados sobre uma metodologia altamente eficaz e científica, reconhecida quanto aos resultados positivos alcançados no desenvolvimento humano e em potencial para o desenvolvimento social.
    Lilian Vianna
    Coach há sete anos, graduanda em psicologia e formada em terapia cognitivo-comportamental

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